Posts de abril de 2017

Aos 30 e o Despertar

Em 01.04.2017   Arquivado em Terapiando

Fora do ar.
Foi assim que um período da minha vida foi definido hoje.

– As coisas foram acontecendo, os anos foram passando, e você sequer absorvia o que estava ao seu redor.
– Sim, eu me dei conta disso faz pouco tempo. Percebi que durante muitos anos deixei de sentir e ver enquanto andava pela rua. Não sentia mais o vento mexendo o cabelo, as folhas. Não sentia o cheiro dos lugares, não olhava a beleza das flores, das árvores, dos bichinhos, coisas que sempre fiz. Aliás eu sentia sim, eu sentia medo e queria sair dali rapidamente.

Eu dormi aos 20 e acordei aos 30.
Dormi na fase mais linda da vida, aquela de experimentações, do “temos todo tempo do mundo”. Da certeza de poder tentar aqui, ali porque há tempo!
E acordei numa fase onde eu sinto que não tenho mais tempo a perder. A vida passa rápido demais, não dá pra aceitar certas coisas, não dá pra me contentar com pouco.

Acordei. Quero viver.
E eu escrevo isso emocionada, pois há exato 1 ano atrás eu buscava ajuda psiquiátrica porque a minha única vontade era morrer.

Eu quero viver, eu não sei como viver. Eu me sinto sozinha nessa jornada.
Quero trabalhar com o que eu gosto e não com o que eu acho certo.
Quero fazer coisas que me agradem.
Quero viver o que me tira sorrisos, que faz eu me sentir realizada, grata, inteira, plena, capaz, foda.

Não faço a menor ideia do ponto de partida disso tudo. Talvez seja esse aqui, do me dar conta do que eu quero e principalmente do que eu não quero e não aceito viver.

Bora que o relógio não para não!

Aos 30 e os Amigos

Em 01.04.2017   Arquivado em Terapiando

– Você não tem amigos, não é?
– Err, tenho, acho que tenho sim…
– Digo, você não tem um círculo de amigos. Que saem, se divertem, fazem coisas. Eu vejo você dizendo que se comunica muito com as pessoas pela internet, mas amigos mesmo não.
– É que… é.

E vieram mais diálogos, mais frases, mais constatações. Coisas que se eu tivesse ouvido no começo da terapia, teria ficado triste e hoje eu consigo compreender sem pirar.
Eu já falei diversas vezes sobre isso, sobre essa solidão, mas confesso que dá um nó desconfortável quando ouço alguém falando. Não foi a primeira vez, o André já falou em outros momentos.
Eu não tenho amigos.
Tá, você aí pode se sentir incomodado com essa afirmativa e pensar “mas e eu aqui sua ingrata?”. Não estou desconsiderando você, nem você. Vocês essenciais diversas vezes. Mas eu sinto um vazio é aqui.

E dói isso aí, viu?
Dói porque eu estou me redescobrindo, me reconhecendo, e a insegurança, o medo do novo, isso tudo é muito forte. Eu não sei o que é ser chamada – e ir – a coisas que todos fazem ou já fizeram.
Eu tinha amigos na escola. Em alguns momentos haviam reuniões, encontros pontuais.
Eu tinha amigos na faculdade. Em 4 anos, deixa eu parar pra pensar aqui, acho que só saí para diversão umas 2 vezes.
Eu tenho amigos na internet. Também posso contar numa das mãos o quanto saímos.

E isso aqui não é sobre culpa. Não é sua, não é minha. Por muito tempo eu não consegui cumprir a minha parte do “vamo?”.
Mas bate um cansaço, sabe… Um cansaço de ser eu, de não ter relações comuns, ou normais. Aquelas que todo mundo tem.
Eu não tive uma amiga que viesse me tirar da cama, arrastar pro chuveiro e dar banho a força.

Sei lá sobre o que que é esse post. Talvez seja como um basta.

– Agora você está descobrindo as suas vontades, do que você gosta, vai encontrar pessoas nessa mesma sintonia. Agora que você vai começar a desbravar o mundo, seja dirigindo como quer, seja num curso, numa academia, em qualquer que seja o ambiente, você vai conhecer pessoas e a partir daí, quem sabe descobrirá um círculo de amizade?
– Eu não sei o que é isso, não sei como reconhecer. A sensação que eu tenho é que sou desagradável… Mas não falo isso com tristeza. Sei lá, isso tá estranho…
– Você vai reconhecer e vai se permitir sim. Você já está nesse processo.