Posts de junho de 2017

Aos 30 e a Solidão

Em 20.06.2017   Arquivado em Terapiando

“Yes, I understand that every life must end
As we sit alone, I know someday we must go
(…) Did I say that I need you?

É uma vida de silêncios, de meias verdades. Ouvindo atrás da porta, deduzindo, criando, supondo… sofrendo.
Ninguém nunca me disse que não saber dói, que os gritos mudos fazem chorar. Mas eu descobri, muito antes até de entender o que era o mundo.
Na verdade, o mundo pareceu ser isso por muito tempo: ninguém nunca vai me contar nada, as pessoas vão me abandonar, a vida é uma competição de beleza e inteligência, se não estiver no padrão imposto por uma ou mais pessoas, apelidos surgem e não há chance de existir autoestima.

Quando não se é desejado, precisa-se lidar com a rejeição muito cedo. Eu não deveria estar ali e isso sempre foi muito nítido. Não havia espaço. E isso explica tanta coisa!!!

Explica a falta de afeto, empatia, cumplicidade, amizade, aconchego, parceria…
Aos 13 anos gostar de alguém? Puta.
Aos 15 anos namorar alguém? Se der, é puta.
Puta.
Mesmo que ninguém nunca tenha me perguntado se já, se quando, se quero, se existem dúvidas.

Tive que descobrir o mundo, aquele que já era todo distorcido, sozinha.
Enfrentar ameaças sozinha. Numa tentativa de proteger o desconhecido, o escondido, o trancado a 7 chaves por todos.
Tive que enfrentar a vida e a morte sozinha.
Sempre sozinha.

E agora, ainda agora, sigo como se não fizesse parte de nada, sem entender nada. Talvez alguém me dê notícias. Talvez siga o mistério.
Eu nunca vou entender.