Aos 30 e os Gatilhos

Em 27.05.2016   Arquivado em Terapiando

Tem aquele cheiro. Sabe, aquele cheiro de terra molhada, de pão fresquinho, de cachoeira? Ele automaticamente puxa uma série de sentimentos gostosos, uma memória corporal de uma época que senti muita felicidade.

O cheiro do perfume daquela pessoa.
Aquela música! Aquela música daquele filme!
O cheiro de halls de uva verde.
Tem também aquele gosto de sacolé num dia de calor.

Tem aquele cheiro da minha filha, do primeiro banho dela. Cheiro que durou muito tempo e sentia assim que abríamos a porta de casa.

E infelizmente…

Tem aquela pessoa. Aquela pessoa que você lê o nome ou vê uma imagem e sofre tudo de novo. Todas as dores que foram colocadas embaixo do tapete parecem surgir, voar na sua direção.
E você sente solidão, mesmo tendo uma multidão ao redor.
Sente raiva, mesmo sendo um sentimento que você faz questão de eliminar rapidamente.
E sente muito, por ter passado por tudo isso.

Eu não queria sentir. Não queria sofrer.
Quero somente as boas memórias, apagar as ruins.
Tá, pode manter as ruins, só leve embora as muito ruins.

Acho que vou pegar uma balinha de uva verde…