Aos 30 e a Autoestima

Em 23.06.2016   Arquivado em Terapiando

Acho que restaurar isso é meu maior desafio.
Nem sei se é correto utilizar o termo “restauração” para algo que sequer tenho lembrança de ter existido.
Eu não sei o que é ter autoestima, o que é tê-la elevada.
Fisicamente, sempre tive a crença suprema que meu corpo estava fora do padrão. Desde muito nova, via que as meninas com mais corpo eram as que se destacavam, que ser muito magra ou gorda era algo bem complicado.
Não me sentia confortável com o uniforme escolar, minhas pernas eram finas demais e sambavam naquela saia até o joelho, ou naquela bermuda de educação física. Achava meus pés enormes, já calçava 37 e com isso eles se destacavam: eu me sentia o bozo.
Acreditava que tinha orelhas enormes, que eu vivia tentando esconder com o cabelo que também era enorme.
Nunca sofri bullying, mas eu não me sentia confortável com o que eu era.

Emocionalmente fui um fiasco! Primeiro menino que gostei parou de falar comigo! hahahahahaha

Sempre me empenhei em tirar notas boas, não queria me sentir incapaz também nesse quesito.

Cresci com essas distorções.

Percebi que aceitei namoro com pessoas que em sã consciência eu jamais aceitaria, pois acreditava que era um milagre um ser humano gostar de mim. Eu não gostava, como é que outro iria gostar?
E nessa, amigos, embarquei numa canoa furada onde a pessoa vivia me colocando pra baixo. Eu era magra demais, meu cabelo cacheado demais (olá, progressiva!), desbundada demais, eu não parecia mulher, parecia menina e ele se interessava pelo visual mulherão. Ele afirmava que era muito mais bonito que eu, que eu deveria agradecer.

O namoro terminou.

Conheci alguém que sempre acreditou em mim, que sempre me colocou pra cima mesmo que eu mesma não fizesse isso.
Ele reforça diariamente, há 3067 dias que eu sou linda, inteligente, que eu sou uma boa pessoa (porque nem nisso eu acredito às vezes).

Decidi agora, aos 30, que não deixarei que ele faça esse trabalho sozinho. Quero gostar de mim, quero me ver com os olhos dele. Quero ver com os olhos encantados da minha filha.
Nem eles nem a terapeuta conseguirão me ajudar se eu não permitir e agora, eu permito me amar.

Aos 30 e os Des-

Em 10.06.2016   Arquivado em Desculpe o Transtorno

Desamor.
Desamparo.

Eu não sei receber afeto. Não espero que alguém me defenda de algo, que me proteja. Eu me enxergo sozinha no mundo. E eu descobri isso faz pouco tempo. Sempre percebi, quem convive sempre percebeu, mas eu nunca compreendi o que de fato acontecia.
Minha infância, ou o que me recordo dela, foi difícil no núcleo familiar. Essas demonstrações públicas e constantes de afeto que tenho com minha filha não era algo comum em casa. Brincávamos, mas talvez não fosse algo comum daquela geração. Ou os problemas é que estavam em excesso (que eu sei pouco sobre eles, não tenho memória do que acontecia, só o sentimento que marcou).
Mas é fato que minha família passou e passa por muita coisa que gerou um bloqueio emocional enorme em todos.
Embora eu e papai fossemos muito próximos, não éramos acostumados a dizer “eu te amo”.

Pode ser que a mesma história num outro indivíduo tivesse outro resultado. Em mim, o resultado foi esse, essa descrença, esse medo de ser abandonada, uma autoestima baixíssima.

E qual o motivo da exposição?
É que, em primeiro lugar, eu me sinto bem escrevendo. É a forma que eu tenho de processar informações.
Segundo, acredito que alguém possa se identificar, perceber como a terapia está me ajudando e assim conseguir melhorar também.
E, espero que as pessoas entendam minha dificuldade pra aceitar bons sentimentos.
Eu vou melhorar, vou passar por isso tudo e vou me amar. Assim, vou receber tudo de mais lindo que cada um tem pra me dar.

Aos 30 e as Respostas

Em 06.06.2016   Arquivado em Terapiando

42.
A resposta pra vida, universo e tudo mais.
Gostaria de responder 42 sempre…
É que tem coisas que eu não sei mais a resposta. Tem coisas que não sei bem o significado da resposta que dou. É o que eu realmente penso e sinto?

Minha cor favorita é verde. É? Bem, eu quase não uso verde. Uso mais roupa preta, tenho bastante roupa rosa que teoricamente é a cor que menos gosto. Por que verde? Mas eu gosto de tantas outras cores…

Minha bebida preferida é suco de melão. Quanto tempo faz que não bebo um? Mas e a Coca-Cola que sinto até dor de cabeça se fico sem? E a sakerinha de morango? Fora que tem tanta bebida que nunca experimentei, como vou saber qual a preferida?

Comida preferida é nhoque. Mas eu gosto tanto de outras da mesma forma. Picanha, sauduíche, arroz, feijão e ovo mexido com batata corada, sorvete…

Não sei se respondo no automático, se respondo as coisas antigas sem pensar nas novas.
Preciso me redescobrir.

Aos 30 e os Gatilhos

Em 27.05.2016   Arquivado em Terapiando

Tem aquele cheiro. Sabe, aquele cheiro de terra molhada, de pão fresquinho, de cachoeira? Ele automaticamente puxa uma série de sentimentos gostosos, uma memória corporal de uma época que senti muita felicidade.

O cheiro do perfume daquela pessoa.
Aquela música! Aquela música daquele filme!
O cheiro de halls de uva verde.
Tem também aquele gosto de sacolé num dia de calor.

Tem aquele cheiro da minha filha, do primeiro banho dela. Cheiro que durou muito tempo e sentia assim que abríamos a porta de casa.

E infelizmente…

Tem aquela pessoa. Aquela pessoa que você lê o nome ou vê uma imagem e sofre tudo de novo. Todas as dores que foram colocadas embaixo do tapete parecem surgir, voar na sua direção.
E você sente solidão, mesmo tendo uma multidão ao redor.
Sente raiva, mesmo sendo um sentimento que você faz questão de eliminar rapidamente.
E sente muito, por ter passado por tudo isso.

Eu não queria sentir. Não queria sofrer.
Quero somente as boas memórias, apagar as ruins.
Tá, pode manter as ruins, só leve embora as muito ruins.

Acho que vou pegar uma balinha de uva verde…

Aos 30 e as Happypills

Em 20.05.2016   Arquivado em Desculpe o Transtorno

Questionário respondido, perguntas difíceis.

– Você já pensou em se matar?
– Já…
– Por que não fez? (não tinha respondido essa nem pro meu eu)
– Por medo de fazer minha filha sofrer sem mim.

Exames solicitados. Vitamina D subiu! Tireoide funcionando perfeitamente! Seria esse o motivo da melhora?
Diagnóstico feito: depressão.
Remédio prescrito. Pristiq. Promete não causar muitos efeitos colaterais, não altera a libido. Muito importante essa parte.
210 dilmas golpinhos. Caro. É bom que me deixe inteira.
Vamos lá! Primeira dose!
Calma, não estou inteira. Estão faltando mil pedaços! Mas eu estava tão bem 1 hora antes dele!!!
Socorro! Não consigo sair da cama, quero vomitar, quero chorar!
Esses efeitos passarão. Passariam. Eu não posso ficar de cama de novo aguardando esse dia, tenho uma filha para cuidar.

Então ficaremos sem. Dois dias pros efeitos de uma dose passarem. Pronto.
Agora farei terapia. Estou apaixonada pela tia terapeuta. Cognitiva-Comportamental, como uma grande amiga indicou.
Homeopatia!
Atividade física!
Passeios no parque, pular corda, jogar bola, andar de patins e de bicicleta.
Beijo na boca. Muito beijo na boca!
Amorzinho, carinho, abraços!
Bolo aos domingos, encontros especiais.
Uma semana tranquila, rotina, casa arrumada.
Amigos. Ter amor, declarar amor. Ter a liberdade de dizer que amo quando é amor mesmo, porque amizade é amor!
Ler.
Ver filme.
Mergulhar nas séries.
Cozinhar!!!

Queria ter dado certo com a medicação? E muito! Mas não rolou.
Então eu quero aproveitar que voltei a ter prazer nos pequenos detalhes da vida e a viver um dia de cada vez.
Como se fosse um vício.
Serei super infeliz com essa comparação, mas vício em tristeza.
Então preciso de manutenção de felicidade, preciso que confiem que estou bem e que não vou me aproximar daquele poço.
Caso eu me aproxime, que tenha ajuda no resgate.

Um dia de cada vez.
Uma dose de felicidade de cada vez.

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