Aos 30 e o Aprendizado

Em 14.05.2016   Arquivado em Comemorando

Fiz uma lista de coisas que gostaria de realizar antes de chegar aos 30. Não fiz nem metade.
Isso geraria um caos imenso dentro de mim, mas hoje não porque hoje eu sou aquela mulher de trinta que eu sempre quis ser. E mulheres de 30, amigos, já passaram pelos inúmeros planos dos 20 e poucos anos e sobreviveram.

Porque aos 30 não temos mais tempo a perder e eu não quero falar de planos, quero falar de aprendizado.

Em trinta anos aprendi que posso ser essa metamorfose ambulante e que é muito melhor ser assim do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo. O mundo muda, as coisas e as pessoas mudam numa velocidade absurda e temos que caminhar no mesmo ritmo. E eu posso mudar de opinião sim, e posso falar sobre isso sim.

Aprendi a dizer não. E que é essa sinceridade que mantém relacionamentos.

Aprendi que tem história que dói, tem saudade que dói, que a dor acontecerá mais vezes do que gostaríamos. Mas as feridas, até mesmo as profundas, cicatrizam. E um dia até conseguiremos falar delas sem chorar – o que indica a cura.

Aprendi que meu corpo é meu templo. Não posso permitir o que não me agrada e preciso cuidar dele todos os dias. Mas aprendi também que o tempo torna esse trabalho difícil (um beijo, metabolismo dos 20 aninhos!).

Aprendi que o bem mais precioso da vida é a saúde, mas notas delicadas de paz de espírito fazem a diferença. Pedir desculpas, perdão, agradecer, reconhecer o outro, isso tudo contribui e muito para obtê-la.

Aprendi que amizade é a base do amor. E que amigos são poucos, colegas são vários. O que faz o termo mudar é a capacidade de ter e demonstrar empatia. A distância geográfica não diz nada.

Hoje chego aos 30 com vontade de continuar aprendendo, vivendo, experimentando, evoluindo.

Aos 30 e o Recomeço

Em 06.05.2016   Arquivado em Desculpe o Transtorno

Olá, meu nome é Talita e eu tenho depressão.
(Oi, Talita!)
Todos já ouviram falar em depressão mas não são todos que sabem lidar com isso; seja quem tem ou quem convive com a gente.
Você perde muita coisa com a doença. Falo que é muita coisa mesmo, meu amigo!

  • Desaprendemos a escrever, a falar. Sim, a comunicação logo é afetada e fica cada vez mais difícil expressar qualquer coisa. (minha vontade no momento é fazer um curso de Português)
  • Zeramos a autoestima. Não vou perder minutos escolhendo roupa se no final ficará tudo uma grande bosta, pois quem está vestindo está uma grande bosta.
  • Podemos ficar estúpidos, ingratos, afastados do mundo. E com isso…
  • Perdemos amigos.

Depressão no meu dicionário significa perda. A minha foi desencadeada por dois momentos de falecimento na família, momentos que não vivenciei o luto como deveria e isso se tornou uma bomba que, ao explodir, fez com que eu perdesse muito mais.

O momento mais crítico foi, sem dúvida, ter pensamentos suicidas. Momento onde pedi, implorei ajuda e não tive. Até li que “eu não sou a única com problemas, todo mundo tem e ao invés de importunar os outros, resolve seus problemas sem pensar em se matar”. Foi mais ou menos assim, pelo menos é assim que eu lembro. Ok. Lembrar de não importunar mais ninguém, pois todos possuem problemas e cada um tem sua vida mesmo. Bora seguir sozinha!

Seguir sozinha…

A solidão é cruel. Na minha cabeça era necessária porque eu não tinha o direito de incomodar ninguém, de fazer ninguém ficar com energia baixa ao ler como eu estava ao responder um simples “tudo bem?”. Fez sentido mas ainda assim foi cruel.
E isso se tornou um ciclo, né? Eu me afasto, quem quer se aproximar já não tenta mais porque não sabe como, eu já acho que ninguém quer…

Cruel também é o pensamento suicida. Que armadilha terrível! Eu não aguentava mais a solidão, achava que fazia mal a quem convivia comigo (marido e filha) e que essa era a solução. Caramba, é a solução mas vou fazer minha filha crescer sem mãe? Mas eu não aguento mais! Eu não posso pensar nisso, eu sou um monstro, não mereço conviver com ninguém, por isso as pessoas não se aproximam, porque eu sou isso… volta o pensamento, a vontade.

Sempre fui uma pessoa alegre, sempre tive muitos amigos. Essa verdade foi mudando conforme o tempo foi passando e essa doença me pegou em algumas curvas.
Hoje eu tenho mais consciência do que acontece comigo, que eu preciso ficar bem para não entrar em crise novamente caso aconteça algum problema natural da vida. Ainda preciso de apoio, preciso muito de incentivo e ajuda quando tudo começa a ficar cinza.
Faz 1 mês que recuperei forças, sonhos, planos, fios de cabelo e vontade de viver.

Que aos 30 eu viva bem. Que eu viva feliz. Viva!

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